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“Eu não sou má aluna”. Tive que repetir para mim mesma pela décima terceira vez naquela noite de domingo, em que decidi ir jantar com minha família ao invés de ficar estudando para prova de física na manhã seguinte.
Eu sabia a matéria, não sabia? Tinha
prestado atenção, feito os exercícios... ou pelo menos tentado. E se não desse
certo, ainda tinha a recuperação, não é?
Eu não sou má aluna. Mas é que eu tinha
dormido tão mal para conseguir terminar aquele bendito fluxograma que, na aula
daquele professor com a voz tão calminha, não consegui aguentar. Dormi como se
fosse um bebê. Quando acordei, já na troca de aula, meus colegas me disseram
que o professor fez cara feia. Eu me senti mal, mas não conseguiria ficar
acordada.
Não, eu não sou má aluna! Acontece que
a sala toda estava falando muito alto naquele dia em que eu estava com dor de
cabeça. Eu sentia que iria chorar e falar coisas que me arrependeria depois.
Sim, eu pedi para ir ao banheiro para a professora, e ela deixou. Mas eu só
voltei quinze minutos depois. A aula tinha acabado.
Eu não sou má aluna. Mas eu não dormi
direito a semana inteira. E as aulas de slides são tentadoras. Eu não sou má
aluna, mas as aulas depois do almoço é uma dobradinha de educação física, e
bem, tem aquele projeto pra terminar, eu não posso me dar ao luxo de ficar
jogando futebol.
Eu não sou má aluna. Eu não almocei
direito por dois dias pra ficar treinando para os seminários daquela semana.
Deveria ter retirado o almoço de mais um dia. Gaguejei tanto em um que já
imaginei o professor me dando I lá na frente de todo mundo mesmo. Tive que
pedir licença e saí por uns minutinhos quando acabei minha parte.
Eu não sou má aluna. Mas aquela prova
me pegou totalmente despreparada! Como eu fui a única que não ouviu que teria
um teste naquele dia? Como assim todo mundo marcou C, e C foi o primeiro que eu
excluí de cara? Deveria ter colado, pelo menos não teria que me preocupar com a
recuperação, que vai cair bem no dia da entrega daquela pesquisa.
É claro que eu quero passar no
vestibular! É claro que eu também tenho sonhos. Eu sei que a concorrência é
árdua, mas poxa, eu estou fazendo o possível! Não sei mais se o possível é o
suficiente.
Não, não sou má aluna! Não acho que
alguém seja, ou pelo menos, se é, ninguém gosta de ser. Eu não sou má aluna. Eu
não sou um robô. Eu não sou obrigada a saber tudo.
Eu não sou saudável.
Paula Cruz, 2º Etim Design de Interiores

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